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Estendal Enferrujado

Estendal Enferrujado

29
Out15

Normal Person

Madalena

Em História de Quem Vai e de Quem Fica, há uma parte em que Lenù se questiona, com um certo receio, se o seu instinto maternal não terá despontado, devido às sensações que conhece ao pegar num bebé ao colo, ao apertá-lo contra si, ao sentir o seu calor.

Ferrante tem um poder absolutamente espectacular de rapidamente nos fazer transportar para o lugar de Lenù, Lila, ou outras mulheres desta tetralogia, de nos fazer reviver certos momentos da nossa vida, de nos pôr a pensar no que faríamos se estivéssemos no lugar delas e, a mim, deixa-me ainda com pena de não ter tido uma infância e adolescência tão preenchida e tão rica em histórias.

Ao ler o que Lenù sentia, dei logo por mim a pensar que já há imenso tempo que não pego num bebé e que até sinto uma certa saudade, porque já nem me lembro bem da sensação. Por outro lado, fiquei aliviada ao pensar que, em princípio, não devo pegar em nenhum em breve, já que suspeito que as mesmas dúvidas me poderiam rapidamente assaltar. Não está na altura disso, portanto, o melhor é nem estar a colocar esse tipo de sentimentos em mim.

Para quem se queixa que filmes, séries e livros tem personagens femininas pobres, sem importância, pouco credíveis, entre outras queixas que costumo ler por aí, aqui está algo muito bom para lerem e pararem de refilar por um bocadinho.

 

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